quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Por onde andar

Andei pensando, repensando...
Será que andei pelos melhores caminhos?

Às vezes, pego-me indagando se escolhi as mesmas curvas,
As melhores paisagens, as melhores pessoas.

Quem sabe eu seria um ser melhor, uma alma melhor.
Ou talvez não. Vai saber!

Daí vem uma grande pergunta:
Por onde andar?
Que caminho seguir?

As respostas que saem de minha boca ainda são poucas.
Mas chego à conclusão de que, quando se escolhem boas companhias,
Quando se segue o coração, sem deixar de lado a razão,
Tudo se encaminha.

Pouco importa o caminho.
Quando se faz por bem,
O que tiver de ser será
Sem nem precisar dizer “amém”.

Victor da Silva Neris

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O canarinho

Eu tinha um canarinho.
Mantinha-o em uma gaiola de ouro
Com água fresca, alimentação da melhor.

Um dia, um casal de canarinhos voava ao lado da gaiola do meu.
Vi-o admirá-los, invejá-los.
Tinham algo que ele nunca conhecera: liberdade.

Abri a gaiola.

Victor da Silva Neris

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O raiar de um novo dia

Os primeiros raios de sol ainda lutam para sobrepor
A escuridão da noite derradeira.
Os olhos ainda recém abertos
Mantêm as marcas de uma noite de sono.
Demora a perceber que um novo dia está raiando.

O sonho, quase que já esquecido,
Martela a cabeça.
– O que foi mesmo que sonhei?
Uma noite passa como se num piscar de olhos.
Tanto tempo parece já não parecer ter sido tão longo…

Ainda se sonha ou já se acordou?
Ainda se sonha?
Ainda se sonha ou já se acordou?

– Pronto!
– Acordei!
– Que belo dia!

Victor da Silva Neris

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Poema Aleatório #38

Seja a muda da mudança.
Quem não muda fica mudo e nunca alcança.
A esperança é que é a muda das mudanças.
Seja a muda que muda o mundo e que traz esperança.

Victor da Silva Neris

sábado, 18 de janeiro de 2014

Poema Aleatório #37

Passa a menina pelo banco da praça;
Passa o menino sem dente e sem graça;
Passa do ponto o ônibus. Fumaça!
Quebrou o motor, passa o mecânico a graxa.

Passa o tempo até que a uva passa passa,
Porque até a uva passa passa.
E você, que nem uva passa é,
Vai se dar ao luxo de ver o tempo passar?

Se manca, mané:
Quem muito tempo parado fica,
Cria bicho de pé!

Victor da Silva Neris

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pequena conversa com Deus acerca das paixões

– Deus, por que nós apaixonamos?
– Se não sabes, é porque nunca se apaixonou.
– Já me apaixonei sim.
– Então, sabes porque se apaixonaste.
– Para sofrer?
– Não.
– Mas inevitavelmente eu sofria.
– Tudo bem, mas sofrer não é o fim das paixões.
– Então é o que?
– O meio.
– O meio?
– Sim. Sem crescer e se fortalecer quando se sofre por paixões, abandonará o primeiro sofrimento no amor.


Victor da Silva Neris

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Poema Aleatório #36

Há três dias ali,
Um saco de lixo azul estava
Na beira de uma rodovia movimentada.
Três, quatro, cinco mil carros passaram por ele.

Quando o serviço rodoviário foi averiguar…

– Meu Deus, é um corpo!

Victor da Silva Neris